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Estudante desenvolve projeto de absorvente sustentável para moradoras de rua

2019-10-09 18:46:00, Por: Sergio Marcos

Estudante desenvolve projeto de absorvente sustentável para moradoras de rua

Foto:Divulgação

Com o projeto de um absorvente interno sustentável para mulheres em situação de rua, a universitária curitibana Rafaella de Bona Gonçalves conquistou uma das mais importantes premiações internacionais de design. A ideia é produzir o absorvente a partir de fibra de banana.
 

"É o melhor prêmio de design que existe. Uma das coisas que mais me motivou foi dar visibilidade ao tema do projeto. Só as pessoas pararem para pensar sobre o assunto já é muito bom. É gratificante", afirmou.
 
O projeto de Rafaella foi o único brasileiro que recebeu o prêmio alemão "iF Design Talent Award", na edição deste ano, de acordo com o Centro Brasil Design, que é o escritório de representação no Brasil.


Rafaella tem 22 anos é aluna do 3º ano de design de produto da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em paralelo, decidiu fazer um curso de especialização em design voltado para soluções de impacto para o futuro.
O "Maria – absorvente íntimo" foi o trabalho de conclusão do curso, apresentado em julho. O objetivo era pensar em projetos para acabar com a pobreza.
 

"Queria trabalhar localmente. Comecei a procurar esse problema em Curitiba. Cheguei aos moradores de rua e, então, cheguei às mulheres em situação de rua. Tem problemas que só cabem a elas", contou Rafaella.

Estudante desenvolve projeto de absorvente sustentável para moradoras de rua

Foto:Divulgação

'Maria – absorvente íntimo'
 
O projeto, desenvolvido em quatro meses pela estudante, é um absorvente interno que se adapta às condições das moradoras de rua. Rafaella o define como "prático, higiênico e universal".


Ele será produzido com fibra de banana, que é um material biodegradável. O propósito de Rafaella é que o absorvente seja distribuído pelo governo.
Inclusive, a estudante tem reunião marcada com o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), para apresentar o projeto ainda em outubro.


Rafaella fez uma pesquisa e encontrou uma empresa que faz absorvente com fibra de banana na Índia. "Lá, a pobreza menstrual é um problema grande, por questões financeiras, culturais e religiosas", disse.


O absorvente projetado por Rafaella é um rolo. Para usá-lo, a mulher retira um pedaço do rolo de acordo com o fluxo e a necessidade.

Estudante desenvolve projeto de absorvente sustentável para moradoras de rua

Foto:Divulgação

Então, desdobra-se a aba que, após o uso, vai auxiliar a retirar o absorvente. Depois de desdobrar a aba, o pedaço do rolo é enrolado e fica pronto para ser usado.


"Com um rolo, pode fazer absorvente para três ciclos de sete dias", afirmou.

Por enquanto, o "Maria – absorvente íntimo" é um projeto. Rafaella ainda não tem previsão de quando o protótipo ficará pronto, nem uma expectativa de quanto seria o custo de um rolo. "Ainda não tenho ideia, dependeria da escala que o produto atingisse", explicou.


Rafaella já fez testes do formato do absorvente, mas usando outro tipo de material, um tecido, para verificar a eficácia do produto. Ela acredita no êxito do projeto porque, além do teste com o formato ter sido positivo, a fibra de banana já é usada para a funcionalidade proposta pela jovem.

Estudante desenvolve projeto de absorvente sustentável para moradoras de rua

Rafaella tem 22 anos e é estudante de design de produto

O prêmio
 
O prêmio alemão "iF Design Talent Award" teve 9192 projetos inscritos em 2019, segundo o Centro Brasil Design.


Ao todo, 91 projetos foram premiados. Dos 13 projetos brasileiros inscritos, o da Rafella foi o único premiado.


A universitária concorreu na categoria estudante, que tinha como tema um dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Todos os anos, o iF Design Talent Award tem temas específicos.

O tema escolhido por Rafaella é o primeiro da lista dos 17 ODS: "acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares".


"Na categoria estudante, foram cerca de quatro mil projetos inscritos. Cinquenta e dois foram selecionados, e eu era a única brasileira" contou.


Rafaella ficou sabendo no dia 20 de setembro que levou o prêmio: "Não caiu a ficha, parecia surreal".

 

CTR Craíbas