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Bolsonaro 'me tornou inimigo', diz Jean Willys

2019-03-20 06:03:00, Por: Sergio Marcos

Bolsonaro

Foto: Divulgac√£o

Jean Wyllys sabe que não voltará tão cedo ao Brasil. O presidente Jair Bolsonaro "me tornou uma espécie de inimigo", afirmou o ex-deputado que se viu obrigado a abrir mão de seu mandato no Congresso após receber ameaças de morte.

"Eu recibia ameaças de morte por telefone, pelas redes sociais por e-mail. Começaram, inclusive, a me ameaçar nas ruas", conta esse ativista dos direitos LGBT em uma entrevista à AFP em Paris.

En janeiro, o pol√≠tico de esquerda de 45 anos, primeiro deputado abertamente homossexual do Congresso do Brasil, renunciou a assumir seu terceiro mandato diante do n√ļmero crescente de amea√ßas que recebia desde a elei√ß√£o do presidente de ultradireita Jair Bolsonaro.

Bolsonaro e Wyllys tiveram uma briga em abril de 2016, durante os debates sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff, quando o deputado do Rio de Janeiro cuspiu na cara do ent√£o deputado Bolsonaro, depois que ele elogiou o torturador Brilhante Ustra.

Após a eleição do presidente Bolsonaro, conhecido por numerosos comentários homofóbicos, as ameaças "se intensificaram".

O governo fez "uma campanha difamat√≥ria contra mim com fake news, cal√ļnias que tornavam os espa√ßos todos vulner√°veis". "Jair Bolsonaro me tornou uma esp√©cie de inimigo, mas n√£o era advers√°rio pol√≠tico, era inimigo dele", relatou Jean Wyllys, vestido com um su√©ter vermelho.

- Democracia no Brasil 'est√° em risco' -

De acordo com Jean Wyllys o assassinato da vereadora Marielle Franco, há um ano, também pesou na sua decisão de deixar o país.

"Depois do assassinato Mariano Franco o c√°lculo de risco apontou que eu corria risco de minha vida", disse.

"O ent√£o presidente da C√Ęmara destacou uma escolta para me acompanhar de casa pro trabalho e do trabalho para casa. A partir da√≠, passei a viver em uma esp√©cie de c√°rcere privado".

"Foi nesse momento que me dei conta que eu n√£o poderia assumir meu novo mandato", lembrou.

Desde que deixou o Brasil, em janeiro, o ex-deputado tem vivido entre Barcelona e Berlim. H√° alguns dias ele ainda se negava a revelar onde se instalaria, mas agora conta sem medo que ficar√° provisoriamente na capital alem√£.

Por que Berlim? "Berlim me escolheu", responde divertido Wyllys, que conta que após se exilar foi contratado pela fundação alemã Rosa Luxemburgo e pela Open Society Foundation, que lhe propuseram fazer um doutorado na cidade.

Paralelamente √† vida acad√™mica, o ex-parlamentar promete continuar, do exterior, sua milit√Ęncia contra o governo de Bolsonaro. "√Č poss√≠vel fazer pol√≠tica fora do Parlamento e √© poss√≠vel viver livremente como estou vivendo agora e sem risco de vida".

Jean Wyllys não sabe até quando ficará na Europa. "Eu não sei quanto tempo vou ficar fora porque não sei quanto tempo vai durar a noite no Brasil".

Ele acredita, contudo, que as recentes revela√ß√Ķes sobre supostos v√≠nculos entre o presidente e os suspeitos pelo assassinato de Marielle Franco "despertem os eleitores brasileiros que elegeram Bolsonaro".

Uma foto publicada na página Facebook de um dos suspeitos supostamente com Bolsonaro viralizou nas redes sociais. O segundo suspeito morava no mesmo condomínio que Jair Bolsonaro, na Barra da Tijuca.

"Uma coincidência", segundo a polícia, que não apontou qualquer conexão entre a família presidencial e o crime. Para Wyllys, esses vínculos são graves. "Isso demonstra quão em risco está a nossa democracia".

CTR Craíbas