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Alvo de críticas, comitiva do PSL na China, cobra apoio do governo

2019-01-20 20:59:00, Por: Sergio Marcos

Alvo de críticas, comitiva do PSL na China, cobra apoio do governo

Foto: Divulgação

Cansados, traumatizados e, principalmente, massacrados por fogo amigo. É assim que dizem se sentir os 17 integrantes da comitiva brasileira que está na China - entre eles 12 parlamentares, em sua maioria eleitos pelo PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro.

Desde que Olavo de Carvalho, escritor tido como o guru intelectual do governo, acusou os políticos de serem "analfabetos funcionais" e "caipiras" por "entregarem o Brasil à China", na quinta-feira (17), os nervos estão à flor da pele.

Há quem diga não dormir há mais de 48 horas, já que os dias são tomados por reuniões que começam bem cedo e as noites (dia no Brasil) são usadas para acompanhar a enxurrada de críticas nas redes sociais e as discussões dentro da bancada. 

No centro da discórdia, os parlamentares eleitos reclamam da falta de apoio do governo, expondo fraturas na base aliada. "Bolsonaro não sabe que equipe tem aqui, ou já teria saído em nossa defesa. Ele precisa se posicionar. Não estamos contra o governo, pelo contrário. Viemos ajudar", diz o deputado eleito Daniel Silveira (PSL-RJ).

As divergências chegaram ao grupo de WhatsApp da bancada. "Saí do chat e não pretendo voltar. Onde há briga, confusão e vazamentos, não há motivo para ficar", diz a também eleita Carla Zambelli (PSL-SP). 

Citada por Carvalho, Zambelli é o principal alvo das críticas. "De repente, viramos inimigos da nação. Estou acostumada a este tipo de ataque, mas a maioria aqui não está", diz no lobby do hotel onde estavam hospedados, acompanhados por representantes do Partido Comunista chinês. 

Na China, os membros do grupo parecem desorientados e têm dificuldade de manter uma postura coesa, apesar de garantirem que a experiência uniu os participantes. Uma acalorada discussão entre parlamentares foi presenciada pela reportagem na churrascaria Morton's na noite de sábado (19), no segundo andar do luxuoso hotel Regent.

O descompasso foi notório também durante um coquetel oferecido pela embaixada, no qual os participantes foram vistos discutindo entre si e parte deixou a recepção mais cedo. Com o silêncio de Brasília, o grupo esperava ter sido respaldado pela embaixada em Pequim, o que não aconteceu. "Fomos mais bem recebidos pelo Partido Comunista do que pela embaixada", disseram à reportagem.  

O presidente Bolsonaro, que teria ficado surpreso com a viagem, não pretende se pronunciar sobre o caso. Segundo a delegação, o presidente do partido, Luciano Bivar, foi avisado com antecedência da viagem. "As pessoas precisam entender que isto não é uma hierarquia, somos do Legislativo e não do Executivo", diz Silveira, com o consentimento dos companheiros que preferiram não serem mencionados na reportagem.

As divergências ideológicas com o comunismo também foram minimizadas. "Alguns dos congressistas mais conservadores e religiosos estão aqui para mostrar que o diálogo e a cooperação são possíveis. Jamais me sentaria para negociar com Maduro, Castro ou Kim Jon-un, mas aqui há livre mercado e, como parlamentar, não cabe a mim criticar a ideologia do governo", diz Zambelli.

"A primeira lição que aprendemos na China foi não ter preconceitos. A imagem de país comunista que temos no Brasil se esvaziou com a nossa chegada aqui. A China é muito mais democrática que o Brasil em alguns aspectos", diz Silveira. 

A impressão da comitiva é de que será preciso mais do que uma visita de legisladores eleitos para acalmar os ânimos de investidores chineses e confirmar o pragmatismo econômico do governo Bolsonaro.

CTR Craíbas