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CONSUMIDORES PRECISAM SABER DOS PERIGOS DO CONSUMO DE CARNE CLANDESTINA

2019-05-07 00:01:00, Por: Sergio Marcos

CONSUMIDORES PRECISA SABER DOS PERIGOS DO CONSUMO DE CARNE CLANDESTINA

Foto: Divulgação


Coibir o abate de animais em lugares sem higiene é uma grande preocupação nossa, responsáveis que somos pela inspeção de produtos cárneos, dentre outros serviços inerentes ao médico veterinário, por isso a importância de saber a procedência dos produtos no momento de adquiri-los. Os perigos de se consumir esse tipo de produto, são muito grande. Além dos riscos de contaminação durante o processo de abate e transporte, o armazenamento e o preparo deste alimento podem fazer a diferença para a saúde do consumidor. Também é de suma importância, observar a origem na hora da compra, dos subprodutos dos animais abatidos. E por falar em “Saúde”, a Organização Mundial de Saúde (OMS) a define como sendo o estado de completo bem estar físico, mental e social e não somente a ausência de enfermidade e invalidez.

CONSUMIDORES PRECISA SABER DOS PERIGOS DO CONSUMO DE CARNE CLANDESTINA

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Os produtos obtidos a partir do abate clandestino, sem a devida inspeção veterinária oficial, podem ser vetores de doenças e infecções alimentares. Entre as enfermidades infecciosas e parasitárias mais frequentes, comprovadamente encontramos as que são comuns ao homem e aos animais, são as chamadas zoonoses, constituindo-se na atualidade como os riscos mais frequentes. Por sua vez, a demanda cada vez maior de alimentos de origem animal constitui fator decisivo para aumentar os riscos de exposição às zoonoses.


Aos olhos humanos, alimentos aparentemente normais podem abrigar micro-organismos perigosos para a saúde pessoal e com a carne não é diferente. O produto, se contaminado pode causar desde pequenos transtornos até a morte. Um dos problemas mais comuns é a toxinfecção alimentar (infecção adquirida através do consumo de alimentos contaminados por bactérias ou suas toxinas) que pode levar o consumidor à morte. Outro risco dos alimentos em más condições sanitárias é a teníase, doença causada por parasitas. Geralmente ela é transmitida pelo consumo de carne contaminada com cisticercos (larvas do verme), não bem cozida ou assada, que pode causar sérios riscos ao organismo, inclusive problemas nervosos e cegueira quando estiver associada à neurocisticercose (infecção no sistema nervoso). Mas existem outras doenças que também são transmitidas dos animais aos seres humanos, por meio dos produtos cárneos, a exemplo da tuberculose e brucelose, entre outras. Daí, a importância de o consumidor comprar produto bem embalado, refrigerado e, principalmente, com o selo Serviço de Inspeção, quer seja Federal (SIF), Estadual (SIE) ou Municipal (SIM), que atesta a qualidade.


Saibam a tantos quanto estejam interessados em melhorar a sua condição de vida, que o serviço de inspeção atua junto a cada estabelecimento, exigindo as boas práticas de fabricação e examinando os animais, antes e após a sua morte, descartando quaisquer produtos que sejam considerados impróprios para o consumo. Mas apesar dos grandes progressos científicos no campo da Saúde Pública com vistas à proteção do homem contra enfermidades transmissíveis de natureza infecciosa e parasitária, no sentido de erradicá-las, a realidade é que essas patologias continuam presentes em várias espécies animais das quais depende o homem para sua alimentação e nutrição.


Por tudo isso, é oportuno destacar que em nosso município, dispomos apenas de um frigorífico para abate de animais, no caso particular - “bovinos”, para fornecimento de carne com inspeção federal, de boa qualidade para o consumo humano – é o Vale do Sol, com abate mensal, segundo informações colhidas na ordem de 4.000 a 4.500 animais, além de contar atualmente com o suporte de entrepostos para recepção das carcaças no próprio município de Jequié, e nas cidades vizinhas de Apuarema, Itiruçu, Jaguaquara, Lajedo do Tabocal e Maracás, o que não vem acontecendo nas cidades de Jitaúna e Itagi que por apresentarem seus entrepostos desativados, têm recebido as carcaças diretamente através de seus açougues. Fato este, que já tranquiliza o público consumidor. Por outro lado, não temos matadouro-frigorífico para abate de ovinos, caprinos e suínos, o que significa que os produtos advindos destes animais comercializados em açougues e feiras livres, sem nenhum tipo de inspeção oficial, tornam-se passíveis de transmitirem sérias enfermidades aos seus adeptos. Neste contexto, o controle higiênico, sanitário e tecnológico, constitui-se em fator preponderante para evolução técnica e social da indústria alimentar.


Vejamos abaixo, algumas medidas para evitar a contaminação:


- As carnes devem ter o carimbo da inspeção sanitária, quer seja Federal (SIF), Estadual (SIE) ou Municipal (SIM), e nas embalagens o certificado de qualidade. Caso o carimbo já não esteja presente na carne, devido aos cortes sofridos, é importante se informar do proprietário da casa comercial a procedência dos produtos na hora de comprá-los.


- O produto deve estar devidamente condicionado em balcões frigoríficos (nos mercados, feiras livres e açougues).


- Não compre carnes vendidas em locais insalubres e sujos, com circulação livre de animais e insetos.


- Lave bem, com água e sabão, as mãos e os utensílios antes de manusear a carne.


Com isso, certamente,


- Os postos de saúde reduziriam substancialmente seus custos com a diminuição de doenças causadas por carne contaminada, e os recursos poderiam ser direcionados para outras prioridades.


- A prefeitura aumentaria a arrecadação e diminuiria os gastos com saúde, com uma consequente melhoria para o município e seus habitantes.


- O meio ambiente ficaria protegido dos dejetos e resíduos deixados ao relato ou atirados nos rios e nascentes.


Por: Oscar Vitorino Moreira Mendes, Médico Veterinário Prof. Aposentado da UESB

CTR Craíbas