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Dimensões da dor no sofrimento de Cristo

2019-04-19 10:46:00, Por: Sergio Marcos

Dimensões da dor no sofrimento de Cristo

Foto: Divulgação

“Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”

O objetivo deste artigo é entender o sofrimento decorrente da dor pela qual passou nosso Senhor Jesus e identificar os fatores psicológicos (emoções, atitudes e comportamentos) que intensificam a percepção da dor desse homem de dores.

A dor física de Jesus foi apenas a ponta do iceberg. A dimensão desta foi muito além da descrição do flagelo físico, se estende ao campo emocional e espiritual.

Pode-se afirmar que o processo de dor vivenciado por Jesus foi composto por quatro dimensões, de acordo com a complexa concepção de Melo (2003) acerca da dor: “dor física, dor emocional, dor social, dor espiritual”.

Partindo desse pressuposto, analisar-se-á o sofrimento e a dor de Jesus em seus aspectos físico, psicológico e espiritual.

Os quatro evangelhos descrevem o sofrimento e crucificação de Jesus. Tendo sido julgado, mesmo inocente foi condenado:

Então soltou-lhes Barrabás, e tendo mandado açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado. E logo os soldados do governador, conduzindo Jesus ao Pretório, reuniram junto dele toda a coorte. E despindo-o, o cobriram com uma capa escarlate; E tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lhe na cabeça, e em sua mão direita, uma cana; e ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos Judeus! E cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e batiam-lhe com ela na cabeça. E depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe as suas vestes e o levaram para ser crucificado (Mt 27.26-31).

Sua condenação foi seguida da aplicação da pena sem dar-lhe o direito de se preparar para o que iria passar. Havia uma lei romana do tempo de Tibério para que as execuções de penas aos condenados fossem adiadas em pelo menos dez dias depois da sentença (Suetônio, em Tibério, cap.25 apud Mathew Henry p.377). No entanto, a Jesus nenhum minuto se deu.

O sofrimento de Jesus pode ser medido pela dimensão de sua dor e, para se fazer isso, é preciso que exista uma compreensão do processo da dor que é um fenômeno muito complexo resultante de uma interação entre o físico e o psíquico e sua intensidade será definida tanto pelo dano físico como também pelo psicológico. Em outras palavras, a intensidade da dor é influenciada tanto por estímulos sensoriais, quanto pelo pensamento e pelo afeto.

No caso do sofrimento de Jesus, sua dor física teve sua origem nos nociceptores (receptores sensoriais) periféricos que foram estimulados por lesão resultante de atividade mecânica aplicada ao seu corpo. Visto que os nervos periféricos possuem funções altamente especializadas em uma parte específica do corpo, os sintomas apresentados podem ser variados quando são danificados: formigamento e/ou parestesia (sensação de formigamento), sensibilidade ao toque e fraqueza muscular.

A dor física infringida sobre Jesus teve seu início com a flagelação, tipo de castigo em que era usado um chicote feito de várias tiras de couro nas quais eram incrustrados pedaços de ossos ou chumbo nas extremidades. Esse castigo era tão cruel que nenhuma pessoa de cidadania romana poderia sofrer esse flagelo (bíblia de estudo arqueológico NVI, p.1614). O condenado era preso a uma coluna pouco elevada ou baixa, e, sem roupa na parte superior do corpo e com as mãos amarradas de modo a expor suas costas, recebia os golpes com toda a força dos lictores (homens vigorosos), cujo número variava de dois a seis indivíduos.

Inicialmente, as chicotadas rasgavam a carne e rompiam os vasos sanguíneos e os ferimentos podiam ser estendidos à barriga e ao rosto como consequência das tiras enroscadas nessas regiões. Muitos dos flagelados eram tirados quase mortos das colunas e, quase sempre não resistiam aos ferimentos (enciclopédia da vida de Jesus, p.968). Nesse flagelo cumpriu-se a profecia contida no livro dos Salmos 129.3: “Os lavradores araram sobre minhas costas”.

Os soldados teceram-lhe uma coroa de espinhos. Se quisessem apenas tripudiarem sobre sua estrutura psicológica poderiam ter feito uma coroa de palha, mas não, queriam que sua dor transpusesse o campo emocional e literalmente se tornasse uma dor física, apanharam alguns ramos de arbustos espinhosos e teceram essa coroa. Não satisfeitos, com a própria cana que lhe deram golpeavam-no na cabeça provocando perfurações e grandes cortes na fronte e couro cabeludo de Jesus.

O último estágio de sua dor física foi o momento da crucificação. “Levaram-no como a um cordeiro encaminhado à matança, como um sacrifício ao altar (Mathew Henry, p. 378) ”.

Chegaram ao Gólgota, local próximo à Jerusalém. Ali, pregaram suas mãos e pés, que são locais de muitas inervações, causando lesões no nervo mediano infringindo a Jesus uma dor lancinante e aguda. Com esse tipo de ferimento um homem pode facilmente perder a consciência. Levantaram a cruz com Ele preso a ela e o solavanco agravou a lesão dos nervos das mãos e pés despertando dores dilacerantes.

A dor emocional levou Jesus à angústia, medo da morte e do sofrimento, e essa iniciou quando esteve orando no Getsêmani. Ali, antecipadamente sentiu a agonia e o sofrimento pelo qual seria submetido. Devido ao seu abatimento moral, um grande medo e sua profunda emoção (evidente na expressão “Pai se queres afasta de mim esse cálice) desencadeou-se no organismo de Jesus um fenômeno muito raro chamado hematidrose, isto é, Ele suou sangue. Os pecados de toda a humanidade sobre seus ombros se tornou um fardo psicológico e essa tensão provocou o rompimento dos vasos capilares sob as glândulas sudoríparas misturando o sangue com o suor.

O que iniciara no jardim, agora se estendeu ao suplício até a crucificação. Amou a todos indistintamente. Ainda assim, virou peça de tabuleiro de um jogo, psicologicamente cruel, feito pelos soldados romanos. Vestiram-no como um rei caricato: vestiram nele um manto vermelho, lhe puseram uma coroa de espinhos e colocaram em sua mão uma vara como cetro. Nesse jogo praticado pelos soldados, cada vez que o dado era lançado, o prisioneiro se movia em um quadro do jogo gravado no chão e, para diversão dos soldados, este sofria insultos e agressões físicas (Bíblia de Estudo Arqueológico, p.1614).

Foi pelas pessoas que Jesus amava que Ele veio ao mundo: “Ele veio para o que era seu, e os seus não o receberam (Jo 1.11) ”. No entanto, mesmo sendo extremamente sociável, isso não o poupou da dor social. Muito pelo contrário, torturavam-no naquele momento. Um dos amigos e discípulos mais íntimo o negou e os outros se dispersaram. Agora os papéis se inverteram. O homem que outrora fora aclamado e admirado pela maioria, agora era desprezado. Aquele que sempre estivera rodeado de um grande número de pessoas, agora sentia-se no isolamento. Trazia em seu coração a dor da preocupação com aqueles a quem amava, ali representado pelas lágrimas da mãe aos pés da cruz.

Jesus trazia sobre si os pecados da humanidade: “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaias 53.5). Ele era o “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 3.16) ”. Ele sentiu, pela primeira vez, a dor espiritual de ser desligado do pai, mesmo sem pecado, padeceu a dor da divisão “…as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus (Isaias 59.2) ”.

Ao sentir a dimensão dessa dor Ele bradou em alta voz o trecho do livro de salmos 22.1, escrito cerca de mil anos antes: “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? (Mateus 27:46) ”. Subentende-se que a verdadeira dor no sofrimento de Jesus no processo da crucificação vai além da dor física, foi a dor que o levou a separação do pai. Sentiu-se abandonado por Deus. Diferentemente de quando sua alma se perturbou pela primeira vez e ouviu uma voz do céu que o consolava (Jo 12.27,28) e até mesmo da ocasião do jardim, quando um anjo apareceu e o confortou.

É de admirável significado a tolerância de Jesus a todo essa dor e sofrimento. Dentre outras opiniões, destaco que um dos elementos que pode ter influenciado sua tolerância foi o entendimento do significado de sua dor. Ele tinha plena consciência dos motivos de sua flagelação e morte, o imenso amor do Pai pela humanidade caída que precisava de redenção.

Nunca se tivera tanto entendimento da expressão do profeta quando afirmara que Ele seria um homem de dores. O próprio Cristo se sujeitou a esse processo de dor por compaixão. Cerca de 700 anos antes o profeta assim falou: “Dei as costas aos que me ferem” e ainda “pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 50.6; 53.5).

“Por certo que o levaria sobre o meu ombro, sobre mim o ataria por coroa. (Jó 31.36)”. No livro de João 12.32, o próprio Jesus predisse que padeceria morte de cruz. Além disso, em salmos 22 e Isaías 53 temos uma visão precisa de seu sofrimento.

Seu sofrimento e suas dores não foram em vão. Por não retroceder e nem se render diante da dor, mas suportá-la, hoje há esperança para a humanidade. Basta que o homem reconheça sua condição de pecador e que necessita de ser religado à Deus e, que para isso, precisa aceitar e confessar publicamente que Jesus é o Senhor e em seu coração crer que Deus o ressuscitou dos mortos para, então, ser salvo.

REFERÊNCIAS
Bíblia de Estudo Arqueológica NVI, VIDA
Comentário Bíblico do Novo Testamento Matthew Henry, CPAD
Enciclopédia da Vida de Jesus, CENTRAL GOSPEL
http://www.jmonline.com.br/novo/?noticias,22,ARTICULISTAS,47940
http://www.poderdasmaos.com.br/a-neuropatia-periferica

CTR Craíbas