segunda, 18 de maro de 2019. 16:30
<div class='trigger trigger_error'><b>Erro na Linha: #30 ::</b> Undefined variable: Pos<br><small>/home/serjaobl/public_html/themes/serjao_blog2/artigo.php</small><span class='ajax_close'></span></div>

"Havia um plano para me matar", diz Renê Simões sobre seu período na Jamaica

2019-02-18 08:20:00, Por: Sergio Marcos

"Havia um plano para me matar", diz Renê Simões sobre seu período na Jamaica

Foto: Divulgação

Assumir um clube de pouca expressão e desconhecido nem sempre é uma tarefa fácil, mas aceitar o desafio de treinar uma seleção praticamente desconhecida e sem nenhum reconhecimento no futebol é para poucos. E Renê Simões não só topou dirigir a inexpressiva Jamaica, como também fez história ao conseguir o “quase impossível” (classificar o país para a Copa de 1998 na França) e depois o “quase mais impossível ainda”; ganhar um jogo na Copa.

Mas o início dessa história foi conturbado e contou com uma recusa do ex-técnico devido ao histórico do país com o uso excessivo de maconha e também pela pouca relevância no futebol mundial.

“O Brasil tinha o interesse em ter uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. E como o país queria os votos dos países do Caribe, e o governo ofereceu projeto de cooperação técnica e esportiva para todos os países da região. A Jamaica pediu um treinador. Eles colocaram algumas condições, queriam um ex-jogador, um treinador formado com experiência no exterior e que falasse inglês, e o Marcelo Espezim Neto, então presidente da Academia Brasileira de Futebol, me indicou. E eu não queria. Eu tinha estado na Jamaica em 89 com a seleção sub 20 e sabia que a Jamaica era abaixo de zero no futebol, como naquele filme que conta a história da equipe de bobsled e falei que não queria”, disse em entrevista ao Yahoo Esportes.

Mas, após muita negociação e condições impostas, Renê finalmente aceitou o desafio, mas precisou se desdobrar para conseguir realizar o projeto de profissionalizar o futebol no país caribenho. “Eu pedi um contrato de quatro anos. Primeiro eu juntei o país. E essa sacada minha de juntar oposição e situação facilitou para meus pedidos serem aprovados no congresso. Ai eu comecei a trabalhar, vim pro Brasil e trouxe a seleção. O assessor do primeiro ministro disse que não tinha dinheiro para bancar a viagem, aí lancei um projeto para empresas adotarem jogadores”.

 

E a viagem para o Brasil serviu para mostrar que o trabalho seria longo e difícil. Renê, então, precisou usar um pouco da sua sabedoria para convencer os jogadores e também o povo da Jamaica de que o futebol poderia ser uma realidade no país. “Fizemos 18 jogos e perdemos os 17 primeiros por 5, 6, 4 a 0. E o último eu não queria perder. Ai eu pedi pra arrumar um time de uma fábrica e colocar um nome qualquer. Nós empatamos o jogo aos 47 do segundo tempo. Nem assim ganhamos os jogos. Não dávamos 20 passes totais nos jogos. Acertávamos menos de 20% dos passes e era difícil ganhar um jogo”, disse.

A partir dessa experiência, o ex-técnico conta que começou a mudar todo o ambiente da equipe e precisou tomar uma medida drástica ao afastar Walter Boyd, o jogador mais famoso da Jamaica. O caso rendeu problemas para Renê, que precisou andar com escolta da polícia secreta devido a um plano para matá-lo.

“Eu afastei o mais famoso deles, o Walter Boyd. Ele não era preguiçoso. Ele achava que estava acima do bem do e mal. Trabalhava só com o que era bom para ele. E quando você começa um grupo, trabalha com o melhor para todos. Ele dizia para mim que era bom demais, que cobrava muito dele. E aí eu tive que andar com a polícia secreta durante seis meses porque tinha um plano da comunidade dele para me matar. O incômodo foi parecido quando o Felipão cortou o Romário da Copa do Mundo de 2002. Os ministros me disseram que eu deveria andar com a polícia secreta para o país não correr o risco de ter um técnico estrangeiro assassinado”.

Outro problema que Renê precisou contornar foi a desconfiança sobre os jogadores quanto ao uso de maconha. Durante as eliminatórias para a Copa do Mundo da França, em 1998, os jogadores da Jamaica foram testados 15 vezes em 20 jogos.

“Eles faziam o exame antes da viagem. Quem desse positivo estava fora. O primeiro teste antes do jogo contra El Salvador. Não tinha problema nenhum. Dos 20 jogos, 15 jogos tiveram testes antidoping e nunca deu problema”, conta.

E o resultado de tanto trabalho chegou com a classificação para o Mundial da França em 1998. E mesmo com um desempenho ruim, Renê conta que o país ficou em êxtase com participação e que nem mesmo o desempenho ruim abateu os jamaicanos, que saíram com derrotas para Argentina e Croácia e uma vitória histórica sobre o Japão na fase de grupos.

“Ir para a Copa foi o máximo para eles. Mesmo que tivessem perdido tudo. Eles não tinham dimensão do que era ficar em 22° lugar em um total de 32 seleções na Copa do Mundo. Eles não tinham dimensão do que era fazer um gol na Copa. E nós fizemos três gols, ganhamos uma partida. Eles nunca foram profissionais. Na primeira reunião eu perguntei o que eles queriam. Eles não sabiam. Eu tinha carregador de táxi, barman, tinha de tudo na seleção.”

CTR Craíbas