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PM cegou garota de 16 anos, negou socorro e depois riu dela

2019-11-15 15:56:00, Por: Sergio Marcos

PM cegou Gabriela, 16, negou socorro e depois riu dela

Foto:Divulgação

‚ÄúEles debocharam de mim enquanto eu sangrava, n√£o me prestaram socorro‚ÄĚ. Essa √© a lembran√ßa mais viva na mem√≥ria da estudante Gabriella Talhaferro, 16 anos, ap√≥s ficar cega do olho esquerdo.

A causa? Uma bala de borracha disparada por um policial militar do 28¬ļ BPM/M (Batalh√£o de Pol√≠cia Militar Metropolitano) durante a dispers√£o a um baile funk na regi√£o de Guaianases, no extremo leste da cidade de S√£o Paulo, na madrugada de domingo, dia 10 de novembro.

Gabriella e sua mãe Kelly Talhaferro receberam a reportagem da Ponte na cobertura do apartamento duplex em que moram, no bairro Vila Virgínia, em Itaquaquecetuba, cidade localizada na Grande São Paulo. A força da menina, que ainda tenta entender o que aconteceu, contrasta com a de sua mãe, que, durante a entrevista, se emocionou por diversas vezes.

PM cegou Gabriela, 16, negou socorro e depois riu dela

Foto:Divulgação

A jovem estudante do primeiro ano do Ensino M√©dio agora n√£o pretende mais voltar para a escola neste ano. Ela contou que era a sua segunda vez naquele baile e que saiu de casa muito contente. A ideia era se encontrar com mais 15 amigos e seguirem em trem da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) da cidade onde moram para o ‚ÄúBaile do Beira Rio‚ÄĚ, como √© conhecida a festa de rua que re√ļne centenas de jovens nas madrugadas de s√°bado para domingo. Os grupos s√£o vindos dos mais diferentes bairros do lado leste da capital e de cidades na regi√£o metropolitana.

A menina vaidosa agora precisa fazer curativos no olho de hora em hora. Gabriella relembra que, ao local do baile, foram avisados que n√£o seria realizado o tradicional evento no local, j√° que a PM estava ali desde √†s primeiras horas da tarde impedindo sua realiza√ß√£o. A rua em que a reuni√£o acontece que fica a poucos metros da esta√ß√£o de trem de Guaianases, tamb√©m administrada pela CPTM, do 44¬ļ DP (Guaianases) e da sede da 1¬™ Companhia do 28¬ļ BPM/M (Batalh√£o de Pol√≠cia Militar Metropolitano)

PM cegou Gabriela, 16, negou socorro e depois riu dela

Foto:Divulgação

Segundo Gabriella, mesmo sem o baile ela e seus amigos decidiram permanecer no local pois j√° era meia-noite e n√£o teriam como voltar para Itaquaquecetuba, j√° que o trem havia parado de circular. N√£o h√° transporte coletivo neste hor√°rio. A menina ent√£o conta que, por volta das 2 horas, policiais militares passaram a dispersar os pequenos grupos que ainda permaneciam no local com bombas e exigindo que deixassem a regi√£o.

‚ÄúNessa hora fomos at√© a esta√ß√£o para tentar ir embora, mas os guardas de l√° n√£o deixaram a gente ficar, ent√£o voltamos‚ÄĚ, lembra. Ap√≥s voltar, a menina conta que ela e seus amigos decidiram ficar em frente uma adega, na tentativa de fazer com que os policiais que continuavam no local n√£o confrontassem o grupo. Foi nesse momento que o disparo aconteceu.

‚ÄúEu estava em frente a adega quando tomei o tiro. Eles vieram na viatura, pararam na rua e quando virei o rosto o policial atirou. Estavam bem na minha frente. Ele estava dentro da viatura. Nem desceu. Mirou no meu rosto e atirou‚ÄĚ, conta a garota.

PM cegou Gabriela, 16, negou socorro e depois riu dela

Foto:Divulgação

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